A arquiteta Célia Maia, Diretora da MELOM Projetos, apresenta no próximo dia 10 de setembro, no Rio de Janeiro, o artigo “FERNÃO SIMÕES DE CARVALHO: CONTINUIDADE DISCIPLINAR ENTRE ARQUITETURA E URBANISMO NO ESPAÇO LUSÓFONO”, no âmbito do PNUM 2026 – Rede Lusófona de Morfologia Urbana.
A apresentação integra o Eixo II – Morfologias periféricas e espaço-temporalidades e propõe uma reflexão sobre a continuidade do pensamento arquitetónico e urbanístico de Fernão Simões de Carvalho através de diferentes territórios da comunidade lusófona, com particular atenção à passagem entre Angola, Portugal e Brasil e às influências da arquitetura moderna brasileira no seu percurso. A conferência reúne investigadores, docentes, estudantes, arquitetos, urbanistas e outros especialistas de diferentes países e contextos da comunidade lusófona.
A edição de 2026 decorre presencialmente no Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Rio de Janeiro, e é organizada pela Rede Lusófona de Morfologia Urbana em parceria com a UFF, através das suas estruturas académicas ligadas à geografia, arquitetura, urbanismo e estudos urbanos. O programa reúne uma ampla rede de universidades e centros de investigação brasileiros e portugueses e inclui, além das sessões científicas, atividades de contacto direto com o território, património e comunidades, como o Circuito Histórico de Herança Africana, no Rio de Janeiro, e atividades de campo em Niterói e Maricá.
A investigação procura perceber se e como existe uma continuidade do pensamento arquitetónico-urbanístico de Fernão Simões de Carvalho através dos diferentes territórios lusófonos, com particular atenção à passagem de Angola para o Brasil e às influências que o arquiteto recebeu da arquitetura moderna brasileira.
O percurso de Fernão Simões de Carvalho, que trabalhou no atelier de Le Corbusier entre 1956 e 1959 e desenvolveu posteriormente uma importante atividade em Angola, é o ponto de partida para analisar a circulação do pensamento arquitetónico entre Europa, África e Brasil. A Casa-Atelier de Linda-a-Pastora/Queijas, projetada pelo arquiteto e construída entre 1974 e 1982, constitui uma expressão particularmente significativa desse percurso, articulando habitação e atelier numa linguagem marcada pelo betão, pela estrutura e pela organização espacial.
A obra tem também uma importante dimensão patrimonial: em 2017, por iniciativa de Célia Maia, foi desencadeado o processo para a sua classificação, que culminou, em dezembro de 2025, numa decisão favorável do Património Cultural, I.P. ao projeto de classificação como Monumento de Interesse Público. A Casa-Atelier é, assim, entendida como uma obra de valor arquitetónico e histórico, mas também como testemunho da circulação e transformação do conhecimento arquitetónico no espaço lusófono.
“É uma honra apresentar esta investigação no PNUM 2026, num contexto internacional dedicado ao estudo da arquitetura e do território no espaço lusófono. Para mim, esta participação tem um significado muito especial, porque permite dar continuidade a um trabalho de investigação que tenho vindo a desenvolver sobre Fernão Simões de Carvalho e, simultaneamente, partilhar uma reflexão sobre a forma como o seu pensamento atravessou diferentes geografias e culturas arquitetónicas. A Casa-Atelier, cujo processo de valorização patrimonial iniciei em 2017, é uma peça fundamental desta história.”, afirma Célia Maia, Diretora da MELOM Projetos.
A participação no PNUM 2026 representa, assim, a apresentação internacional de uma investigação que cruza arquitetura, urbanismo, património e tecnologia, colocando a trajetória de Fernão Simões de Carvalho no centro de uma reflexão mais ampla sobre a circulação e transformação do conhecimento arquitetónico no espaço lusófono.




